Investigadores da Universidade do Algarve desenvolveram uma alga que pode transformar dejectos de peixes das pisciculturas em compostos antivirais e antibacterianos, para serem usados em cosméticos de combate à caspa e ao acne.
"Trata-se de criar condições que permitam a produção de biomassa com valor acrescentado a partir dos efluentes das pisciculturas e aquários", explicou Rui Santos, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve. Os estudos inserem-se no projecto europeu Seapura, que integra parceiros portugueses, espanhóis, irlandeses, alemães e franceses
Os dejectos dos animais servem de adubo para que a alga vermelha "Falkenbergia rufolanosa" se propague. A alga produz amónia, que tem actividade antiviral e antibacteriana, e pode ser colhida e transformada na indústria cosmética.
"Os nossos colegas franceses já começaram a aplicar esses compostos em produtos anti-caspa e anti-acne", disse o investigador. Mas o produto pode ter outras aplicações: por exemplo, a prevenção do desenvolvimento de bactérias e vírus em peixes criados em aquacultura e a integração em tintas, para evitar o desenvolvimento de fungos.
Os investigadores desenvolvem agora, com o parque zoológico Zoomarine, uma colaboração para potenciar o uso do sistema no recinto, utilizando as algas vermelhas em estudo na reciclagem das águas em que vivem os golfinhos, tubarões e focas, entre outros.
Os cientistas portugueses já pediram uma patente para o processo de produção e extracção da alga, que estudaram em profundidade, enquanto os parceiros franceses e alemães se dedicaram aos compostos que a alga produz ao retirar a amónia dos efluentes das pisciculturas.
in Público
Isto soa algo esquisito, mas se contribuir para o nosso desenvolvimento cientifico e económico, qual é o problema?
Publicado por vmar em novembro 28, 2003 06:00 PM